Em congresso, médicos discutem uso de atestados corretos para academias
Durante o Congresso Brasileiro de Medicina do Esporte e do Exercício temas como
o uso de anabolizante e a troca da corrida por caminhada também foram abordados
Por Nabil GhorayebSão Paulo
Durante o Congresso Brasileiro de Medicina do Esporte e do Exercício de 2015 alguns temas bem relevantes foram abordados: a condenação praticamente unânime do uso inapropriado e perigoso de anabolizantes e outros hormônios como a testosteronas em pomada ou oral, o GH e o DHEA para objetivos não médicos de doping, estéticos ou para ganho de força; a substituição da corrida por caminhadas leves e moderadas e a o uso de atestado médicos para academia e exercícios.
No congresso, novamente foi explicado que o atestado médico, apesar de desprestigiado pela população, é um documento de fé pública com enorme importância jurídica e que só pode ser emitido após uma consulta médica. Não deve ter data de validade, pois vale para a consulta realizada e não é um seguro de vida. Tanto pelas redes sociais como nos congressos médicos, o atestado sempre é considerado um elemento de grande importância para a segurança da população, desde que seja feito com ética e respeito ao paciente. Por isso o interessado deve procurar o especialista que conhece o assunto. A população não deve induzir o médico a praticar o mal feito, isto é, emitir atestado sem ter examinado o paciente.
Outro tema interessante da conferência foi o do criador da ginástica aeróbica, o conhecido Dr. K. Cooper. Por ter tido várias lesões ortopédicas, ele decidiu trocar as corridas e incentivar acaminhada leve a moderada para a maioria das pessoas e caminhada mais aceleradas (trote)para os jovens em geral. Deixou de indicar as corridas mais longas e desgastantes para a maioria das pessoas, apenas para atletas profissionais ou esportistas amadores competitivos. A alta intensidade não é a melhor opção, segundo ele.
O Dr. Cooper contou casos de clientes que recusaram fazer o teste ergométrico para só depois iniciar corridas, mas que acabaram tendo infarto do miocárdio. Esses acontecimentos o deixaram muito deprimido, mesmo não sendo o culpado, por ter incentivado a praticarem corridas para a saúde. Enfim, ele insistiu que devemos sempre incentivar a vida ativa, lutando contra o sedentarismo, um péssimo hábito que traz consequências perigosas.
Mostrou também que a obesidade e o sedentarismo ajudam a desenvolvimento de diabete, hipertensão arterial e elevam de forma perigosa a quantidade de gorduras. como os triglicérides. No alto dos seus 84 anos, ele ainda é um apaixonado da boa atividade física que com certeza prolonga a vida com qualidade.
O que se conclui é que o que todos pregamos: hábitos saudáveis prolongam e permitem uma vida longa e gostosa. Alimentação pouco gordurosa e pouco salgada são referências bem conhecidas, mas pouco efetivadas, mudemos enquanto é tempo.
NABIL GHORAYEB
Doutor em Cardiologia pela FMUSP, Especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, chefe do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e do Hospital do Coração, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, além de ter recebido o Prêmio Jabuti de Literatura em 2000. www.cardioesporte.com.br
Doutor em Cardiologia pela FMUSP, Especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, chefe do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e do Hospital do Coração, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, além de ter recebido o Prêmio Jabuti de Literatura em 2000. www.cardioesporte.com.br
FONTE: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2015/10/em-congresso-medicos-reprovam-o-uso-de-atestados-para-academias.html
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